Organização criminosa alvo de operação contra narcotráfico tinha contratos com a prefeitura de Pombal, diz Polícia Civil
26/02/2026
(Foto: Reprodução) Organização criminosa alvo de operação contra narcotráfico em quatro estados tinha contratos com a prefeitura de Pombal
Polícia Civil/Divulgação
Uma organização criminosa que foi alvo de uma operação que cumpriu mais de 40 mandados de prisão, em quatro estados do país, e teve R$ 104 milhões bloqueados em contas bancárias, tinha contratos com a Prefeitura Municipal de Pombal, no Sertão da Paraíba. As informações foram confirmadas pela Polícia Civil durante uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira (26).
O g1 entrou em contato com a prefeitura da cidade, que informou "desconhecer" essa informação e que o setor jurídico vai ser acionado para apurar junto a delegacia de Polícia Civil que empresas são essas.
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Conforme o que foi divulgado pela Polícia Civil, em Pombal, além da ligação com contratos públicos mantidos pelas empresas, também havia alvos que lavavam o dinheiro da facção por meio da venda de veículos. Segundo as investigações, lojas de automóveis eram utilizadas para ocultar e dar aparência legal aos recursos obtidos com o crime. As mesmas empresas que movimentavam esse dinheiro também participavam de licitações públicas e prestavam serviços à prefeitura do município.
Durante a operação, foram presos dois líderes da organização criminosa, um em São Paulo, identificado como Chocô, que era o principal alvo da Polícia Civil, e um homem identificado como Luciano, preso em Pombal e apontado como principal operador financeiro da facção na Paraíba.
As drogas da facção criminosa eram transportadas de São Paulo por meio de caminhões, que faziam o translado entre o sudeste do país e também da fronteira com países como Bolívia e Paraguai até estados do Nordeste.
Muitas vezes, de acordo com a Polícia Civil, as empresas que faziam esse transporte sequer sabiam que estavam levando as drogas, que era colocada nas carretas de forma clandestina.
"São Paulo era o grande hub da operação, o centro de distribuição da droga", disse o delegado Victor Melo.
Chocô, o chefe da organização, preso em Hortolândia, em São Paulo, apesar de ser o operador de transportes dessas quantidades de drogas, não fazia o contato direto com o material e cuidava apenas do envio das cargas.
"Ele não colocava a mão em droga, apenas articulava o envio de grandes cargas", disse o delegado, que também afirmou que desde 2023 ele estava sendo o monitorado, pois o seu nome sempre aparecia na grandes operações de combate ao tráfico de drogas.
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Entenda a operação
A operação Argos foi deflagrada na manhã desta quinta-feira (26) e, até o final da manhã já tinham sido cumpridos 26 mandados de prisão, de um total de 44 expedidos pela Justiça. A ação também cumpre mandados de busca e apreensão e determinou o bloqueio de valores em contas bancárias ligadas aos investigados.
Além da Paraíba, há cumprimento de ordens judiciais em São Paulo, Bahia e Mato Grosso, envolvendo 400 policiais ao todo na Operação Argos.
Para interromper o funcionamento da organização, a Justiça autorizou um conjunto de medidas que, segundo a Polícia Civil, têm como objetivo enfraquecer financeiramente o grupo. Entre as determinações estão:
44 mandados de prisão preventiva, sendo 32 na Paraíba, 10 em São Paulo, 1 na Bahia e 1 no Mato Grosso;
45 mandados de busca e apreensão;
Bloqueio de R$ 104.881.124,34 em contas bancárias ligadas a 199 investigados;
Sequestro de 13 imóveis;
Sequestro de 40 veículos, entre carros de luxo e frotas de transporte.
Uma das linhas de investigação da Operação também aponta que empresas que eram responsáveis pela lavagem de dinheiro envolvidas no tráfico de drogas também participavam de licitações em prefeituras, como a Prefeitura de Pombal.
Não há indícios ainda, no entanto, em relação ao envolvimento das administrações municipais. Segundo o delegado, todo material colhido nesta primeira fase da operação será analisado e é provável que ela seja desdobrada em uma nova fase.
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